quinta-feira, 12 de maio de 2016

Um vendaval,
Pra tirar do lugar
Tudo aquilo que nem lugar tem.
Que apenas está lá.
Que ficou lá.
As pessoas vem
E esquecem de levar embora,
Deixam pra trás.
E não voltam pra buscar. 
Não entram pra ver
Como deixaram o lugar.

Nem sinal do vendaval.

Mas consigo sentir
Uma brisa, bem fina,
Que entra discretamente 
Pelo vão que alguém deixou
Quando encostou a porta,
ao sair.
Uma brisa
Que com seu jeito, minucioso, 
Limpa aquele pó de solidão.
Abre a janela, abre a porta.
Coloca pra fora
aqueles retratos velhos,
Me descobre, me cobre.
E aos poucos 
Aquela pequena brisa,
Se vez vendaval.

- Natty Morais






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